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 A nova seita judaica

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Ronaldo
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MensagemAssunto: A nova seita judaica   18/10/2008, 6:03 am

O martírio no cristianismo primitivo

Sobre os motivos que levaram os cristãos a serem perseguidos, deve-se dizer primeiro que não se limitam a um motivo. Variam com o tempo, pois nem sempre os cristãos nos primeiros 3 séculos de cristianismo foram perseguidos. Para iniciar o assunto, vamos falar sobre os primeiros perseguidores dos cristãos: os judeus.

Bem, o autor lembra muito bem que bem no princípio, o governo romano não perseguia cristãos. Quem os perseguia eram os judeus, e os motivos apresentados pelo autor são bem convincentes. Podemos ver o reflexo desta boa relação dos cristãos com o governo romano nos escritos de Paulo, que são os primeiros escritos cristãos. Mais especificamente em Romanos 13, Paulo fala muito bem dos governos.

Bem, esta situação se estendeu até a destruição de Jerusalém... Depois disto, ficou claro para os romanos que o cristianismo não era a mesma coisa que o judaísmo... E assim começa uma série de perseguições. Justo González novamente nos relata...

Por que Nero é importante para este tema? Por que ele foi o primeiro imperador romano a perseguir cristãos...Ele não tinha uma boa reputação entre os romanos. Continuando com Justo González:

Para tanto, vou postar um trecho de Uma história ilustrada do cristianismo, de Justo González, livro 1, A era dos mártires, página 49:

A nova seita judaica

Os primeiros cristãos não criam que pertenciam a uma nova religião. Eles eram judeus, e a principal diferença que os separava do resto do judaísmo era que criam que o Messias tinha vindo, enquanto que os demais judeus ainda aguardavam o seu advento. Sua mensagem aos judeus não era, portanto, que tinham de deixar de ser judeus, mas ao contrário, agora a idade messiânica havia sido inaugurada, dessa forma deviam ser melhores judeus. De igual modo, a primeira pregação aos gentios não foi um convite para aceitar uma nova religião recém criada, mas foi o convite de fazer-se participante das promessas feitas a Abraão e sua descendência. Convidaram os gentios a se fazerem filhos de Abraão segundo a fé, já que não podiam sê-los segundo a carne. E a razão para que este convite fosse possível era que, desde os tempos dos profetas, o judaísmo havia crido que, com o advento do Messias, todas as nações seriam trazidas a Sião. Para aqueles cristãos, o judaísmo não era uma religião rival do cristianismo, mas sim a mesma religião, muito embora os que a seguissem não entendessem que as profecias já se haviam cumprido.

Do ponto de vista dos judeus não cristãos, a situação era mesma. O cristianismo não era uma nova religião, mas sim uma seita herética dentro do judaísmo. Já vimos que o judaísmo do século primeiro não era uma unidade monolítica, mas que havia diversas seitas e opiniões. Portanto, ao aparecer o cristianismo, os judeus não o viam senão como mais uma seita.

A conduta daqueles judeus em relação ao cristianismo pode ser compreendida se nos colocarmos em seu lugar, e virmos o cristianismo, a partir do seu ponto de vista, como uma nova heresia que ia de cidade em cidade tentando os bons judeus a se tornarem hereges. Ademais, naquela época - e não sem fundamentos bíblicos - muitos judeus criam que a razão pela qual haviam perdido sua antiga independência e haviam sido reduzidos ao papel de súditos do Império, era que o povo não havia sido suficientemente fiel à fé de seus antepassados. Portanto, o sentimento nacionalista e patriótico se exacerbava diante da possibilidade de que estes novos hereges pudessem uma vez mais provocar a ira de Deus sobre Israel.

Por estas razões, em boa parte do Novo Testamento os judeus perseguem os cristãos, que por sua vez encontram refúgio nas autoridades romanas. Isto se pode ver, por exemplo, quando alguns judeus em Corinto acusam Paulo diante do Procônsul Gálio, dizendo que "este persuade os homens a adorar a Deus de modo contrário à lei", e Gálio responde: "Se fosse, com defeito, alguma injustiça ou crime da maior gravidade, ó judeus, de razão seria atender-vos, mas se é questão de palavra, de nomes e de vossa lei, tratai disso vós mesmos; eu não quero ser juiz destas cousas" (Atos 18:14-15). E mais tarde, quando se produz um motim no Templo porque alguns acusam Paulo de haver introduzido um gentio no recinto sagrado, e os judeus tratam de matá-lo, são os oficiais romanos que salvam a vida do apóstolo.

Entretanto, à medida que o cristianismo foi se estendendo cada vez mais entre os gentios e a proporção de judeus dentro da igreja foi diminuindo, tanto cristãos como judeus e romanos foram estabelecendo distinções cada vez mais claras entre o judaísmo e o cristianismo. Há também certas indicações de que, em meio ao crescente sentimento nacionalista que levou os judeus a se reberalem contra Roma e que culminou na destruição de Jerusalém, os cristãos - especialmente os gentios entre eles - trataram de mostrar claramente que eles não formavam parte desse movimento. O resultado de tudo isto foi que as autoridades romanas enfrentaram pela primeira vez o cristianismo como uma religião à parte do judaísmo. Foi então que começou a história dos dois séculos e meio de perseguições por parte do Império Romano. Nesse contexto a perseguição sob Nero foi de enorme importância, não tanto por sua magnitude, mas por ter sido a primeira de uma larga série, de crueldade sempe crescente.

Assim estavam as coisas quando, na noite de 18 de julho do ano 64, estalou um enorme incêndio em Roma. Ao que parece, Nero se encontrava, na ocasião, em sua residência de Antium, a umas quinze léguas de Roma, e assim que se soube o que sucedia correu a Roma, onde tratou de organizar a luta contra o incêndio. Para os que haviam ficado sem refúgio, Nero fez abrir seus próprios jardins e vários outros edifícios públicos. Mas tudo isto não bastou para afastar as suspeitas que logo caíram sobre o imperador a quem muitos já tinham por louco. O fogo durou seis dias e sete noites e depois voltou a se acender em diversos lugares durante três dias mais. Dez dos catorze bairros da cidade foram devorados pelas chamas. Em meio a todos seus sofrimentos, o povo exigia que se descobrisse o culpado, e não faltava quem se inclinasse a pensar que o próprio imperador havia ordenado o incêndio da cidade para poder reconstruí-la a seu gosto, como um grande monumento à sua pessoa. O historiador Tácito, que provavelmente se encontrava então em Roma, conta vários dos rumores que circulavam, e ele mesmo parece dar a entender a sua opinião, pela qual o incêndio havia começado acidentalmente num depósito de azeite.

Mas cada vez mais as suspeitas recaíam sobre o imperador. De acordo com os rumores, Nero havia passado boa parte do incêndio no alto da torre de Mecenas, no cume do Palatino, vestido como um ator de teatro, tangendo sua lira e cantando versos acerca da destruição de Tróia. Logo começou a propalar-se que o imperador, em seus desatinos de poeta louco, havia incendiado a cidade para que o sinistro lhe servisse de inspiração. Nero fez todo o possível para afastar as suspeitas de sua pessoa. Mas todos os seus esforços seriam inúteis enquanto não se fizesse recair a culpa sobre outro. Dois dos bairros que não haviam queimado, eram as zonas da cidade em que havia mais judeus e cristãos. Portanto, o imperador pensou que seria mais fácil culpar os cristãos.
O historiador Tácito, parecia crer que o fogo fora um acidente, portanto, a acusação feita contra cristãos seria falsa. Ele mesmo nos conta o sucedido:

Apesar de todos os esforços humanos, da liberalidade do imperador e dos sacrifícios oferecidos aos deuses, nada bastava para apartar as suspeitas nem para destruir a crença de que o fogo havia sido ordenado. Portanto, para destruir este rumor, Nero fez aparecer como culpados os cristãos, uma gente odiada por todos por suas abominações, e os castigou com mui refinada crueldade. Cristo, de quem tomam o nome, foi executado por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. Detida por um instante, esta superstição daninha apareceu de novo, não somente na Judéia, onde estava a raiz do mal, mas também em Roma, esse lugar onde se narra e encontram seguidores todas as coisas atrozes e abomináveis que chegam desde todos os rincões do mundo. Portanto, primeiro foram presos os que confessaram (ser cristãos), e baseadas nas provas que eles deram foi condenada uma grande multidão, ainda quen ão os condenaram tanto pelo incêndio mas sim pelo seu ódio à raça humana. (Anais, 15:44).

Estas palavras de Tácito são valiosíssimas, pois constiuem um dos mais antigos testemunhos que chegaram até nossos dias do modo em que os pagãos viam os cristãos. Ao ler estas linhas, torna-se claro que Tácito não cria que os verdadeiros culpados de terem incendiado a Roma fossem os cristãos. Ainda mais, a "refinada crueldade" de Nero não recebe sua aprovação. Mas, ao mesmo tempo, este bom romano, pessoa culta e distinta em sua época, crê muito daquilo que dizem os rumores acerca das "abominações" dos cristãos, e de seu "ódio pela raça humana". Tácito e seus contemporâneos não nos dizem em que consistiam estas "abominações" que supostamente praticavam os cristãos. Teremos que esperar até o século segundo para encontrar documentos em que se descrevem esses rumores maliciosos. Mas seja o que for, o fato é que Tácito crê nesses rumores, e pensa que os cristãos odeiam a humanidade. Isto se compreende se recordarmos que todas as atividades da época - o teatro, o exército, as letras, os esportes, etc. - estavam tão ligadas ao culto pagão que os cristãosse viam obrigados a se ausentarem delas. Portanto, diante dos olhos de um pagão que amava sua cultura e sua sociedade, os cristãos pareciam ser misântropos que odiavam toda a raça humana.

Mas Tácito prossegue, contando-nos o sucedido em Roma por causa do grande incêndio:

Além de matá-los (aos cristãos) fê-los servir de diversão para o público. Vestiu-os em peles de animais para que os cachorros os matassem a dentadas. Outros foram crucificados. E a outros acendeu-lhes fogo ao cair da noite, para que a iluminassem. Nero fez que se abrissem seus jardins para esta exibição, e no circo ele mesmo ofereceu um espetáculo, pois se misturava com as multidões, disfarçado de condutor de carruagem, ou dava voltas em sua carruagem. Tudo isto fez com que despertasse a misericórdia do povo, mesmo contra essas pessoas que mereciam castigo exemplar, pois via-se que eles não eram destruidos para o bem público, mas para satisfazer a crueldade de uma pessoa. (Anais 15:44)

Uma vez mais, vemos que este historiador pagão, sem mostrar simpatia alguma pelos cristãos, dá a entender que o castigo era excessivo, ou ao menos que a perseguição teve lugar, não em prol da justiça, mas por capricho do imperador. Além disso, nestas linhas temos uma descrição, escrita por uma pessoa que não foi cristã, das torturas a que foram submetidos aqueles mártires.
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