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 O avanço pentecostal e o aumento da pobreza

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Ronaldo
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MensagemAssunto: O avanço pentecostal e o aumento da pobreza   16/6/2008, 10:01 pm

O pentecostalismo frente a realidade sócio-político-econônica-cultural do Brasil

por MARIEL MARRA[1]

INTRODUÇÃO

O presente artigo adotou a metodologia de ver, julgar e agir, em que
num primeiro momento buscou ver a realidade
sócio-político-econônica-cultural do Brasil, a partir de dados
divulgados pelo IBGE, Fundação Getúlio Vargas e do PNUD,o qual em
parceria com a UFMG, em 2005 divulgou uma importante pesquisa sobre a
realidade brasileira. No segundo momento desse artigo buscou-se julgar
essa realidade pelas escrituras, para finalmente apontar ações
cabíveis para a igreja evangélica brasileira.

1. UM OLHAR SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)[2] é a rede
global de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas, presente
em 166 países. O PNUD é uma das 18 agências, fundos e programas da ONU
presentes no Brasil, em que muitas iniciativas conjuntas estão em
andamento através de oito grupos temáticos do Sistema ONU no país
(Objetivos do Milênio, Mudanças Climáticas, HIV/Aids, Prevenção de
Crimes e Violência, Gênero e Raça, Operações e Gerenciamento,
Cooperação Sul-Sul e Comunicação).

Segundo dados divulgados por este programa em 2005, observou-se que
durante o período de 1980-2000, não houve nenhum avanço na diminuição
das diferenças entre negros e brancos pobres, sendo que a proporção de
negros abaixo da linha de pobreza[3] no total da população negra no
Brasil é de 50%, enquanto que é de 25% a de brancos no conjunto da
população branca, desde 1995[4]. Isto é, metade dos negros brasileiros
vivem abaixo da linha da pobreza, ao passo que entre os brancos
brasileiros, apenas ¼ vive abaixo da linha da pobreza.

O que é lamentável, pois constatar pelos dados do PNUD que em vinte
anos as diferenças não foram alteradas, ou seja, em relação a situação
sócio-econômica dos pobres e dos negros no Brasil, nada mudou desde o
início da década de 1980, quando começa a análise estatística contida
no Atlas Racial Brasileiro[5], o qual também demonstra que no Brasil,
65% dos pobres e 70% dos indigentes[6] são negros.

Sabe-se que existem razões históricas que explicam a realidade
contemporânea. Segundo Schwarcz (1998, p. 173-244) a escravidão de
negros no Brasil durou mais de três séculos e trouxe para o país "3,6
milhões de africanos trazidos compulsoriamente" Estes, ao se tornarem
propriedades de quem os comprava, eram por definição não-cidadãos,
considerados inferiores. E, como lembra Lilia Moritz Schwarcz em seus
estudos sobre racismo e desigualdade social, após a abolição da
escravatura, a liberdade não significou a igualdade.

Segundo Lima (2006, p.68-101) foram cerca de 11 milhões de africanos
trazidos para as Américas como escravos, no mais longo processo de
imigração forçada da história da humanidade. Destes, aproximadamente
quatro milhões ou mais foram transportados para o Brasil. Ou seja: 40%
dos africanos escravizados o foram para vir trabalhar no nosso país:
para plantar comida e produtos agrícolas de exportação (como a
cana-deaçúcar, o tabaco, o algodão, o cacau, o café), para extrair
ouro e diamantes das minas, para carregar tudo que fosse necessário,
para construir casas, igrejas e ferrovias, para abrir e pavimentar
ruas.

Nessa perspectiva é possível dizer que no Brasil ainda hoje existe
escravidão, contudo atualmente é uma escravidão-livre, sendo que as
correntes que prendem o povo negro, não são mais correntes de ferro,
mas sim correntes sócio-político-econômicas-culturais, as quais se
manifestam na indiferença, no racismo e nos mecanismos que trabalham
em favor das elites dominantes.

Observa-se segundo dados do censo IBGE(2000), que a igreja evangélica
brasileira tem apresentado crescimento de mais de 2500% em 60 anos
(1940 e 2000), e uma pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas
de maio/2007 aponta que no Brasil, o número de evangélicos brasileiros
seria de 33,7 milhões (18% da população brasileira) e que destes,
cerca de 9 milhões são da igreja pentecostal Assembléia de Deus.

Este estudo do IBGE também revelou que dos evangélicos brasileiros,
cerca de 11 milhões são negros, e que desses, 8 milhões possuem o
pentecostalismo como confissão de fé, ao passo que a população negra
de umbandistas e candomblecistas não alcança 253.000 pessoas.

Nota-se então que boa parte do pentecostalismo brasileiro é formado
por negros, correspondendo a 6,39% da população brasileira. Um dado
relevante em um país onde 65% dos pobres e 70% dos indigentes são
negros.

Porém antes de prosseguir é preciso que fique bem explícito aquilo que
está se chamando de pentecostalismo no Brasil.

Segundo Leonildo Silveira Campos (1999, p.51), no Brasil, o sub-campo
religioso pentecostal pode ser classificado de vá­rias maneiras,
dependendo do critério adotado pelo analista. Assim, encontram­-se
referências a um "pentecostalismo clássico", cujos representantes
principais são a Igreja Assembleia de Deus e a Congregação Cristã no
Brasil. Um pentecostalismo de "segunda onda", conforme Paul Freston
(1993), ou "de cura divina" conforme Mendonça (1989), o qual é formado
pelas denominações "O Brasil para Cristo", "Deus é Amor" e "Evangelho
Quadrangular". No extremo da escala, encontra­m-se a Igreja Universal
do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade
Sara a Nossa Terra, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Nacional Palavra
da Fé, dentre outras, as quais são consideradas no modelo de Frcston
como um pentecostalismo de "terceira onda", ou "pentecostalismo
autónomo", pelo grupo do CEDI, ou ainda "neopentecostalismo", segundo
Mendonça (1994) e Mariano (1995).

Para Leonildo Campos (1999, p.51) as tipologias empregadas para a
classificação do fenômeno religioso no Brasil, principalmente o
pentecostal, tomam por base a data da chegada de seus pregadores ao
País ou a de fundação do movimento. Portanto, são cri­térios
históricos e de antiguidade, o que fica bem claro na tipologia de Paul
Freston, que usa uma analogia física - "ondas" - para se referir ao
início, ex­pansão e reversão desses movimentos religiosos no decorrer
do tempo. A difi­culdade do modelo está na difícil separação entre as
igrejas e movimentos de "segunda onda" dos de "terceira onda". Pois,
além da Igreja do Evangelho Quadrangular (Cruzada Nacional de
Evangelização), as igrejas fundadas por Manoel de Melo, Igreja
Evangélica Pentecostal "O Brasil para Cristo", e David Martins de
Miranda, Igreja Pentecostal "Deus é Amor", essas já trazem em si
muitas das características desenvolvidas posteriormente pelas igrejas
de "terceira onda", principalmente a Igreja Universal do Reino de Deus
de Edir Macedo.

Leonildo Campos (1999, p.51) diz que o modelo tricotomista de Freston,
pode ser contraposto pelos modelos dualistas de tipologias propostas
por Mendonça e pelo grupo articulado ao redor do CEDI, no sentido de
que o "pentecostalismo clás­sico" é colocado em oposição a uma
situação nova, que, para Mendonça, parece ser um "pentecostalismo de
cura divina" e, para o grupo do CEDI, segundo Bittencourt um
"pentecostalismo autônomo". Freston e Mariano discutem tais
classificações e ambos observam que Mendonça consi­dera as novas
igrejas, oriundas desse novo momento de expansão pentecostal, meras
"agências de cura divina", incapazes de gerar comunidades, dada a
exis­tência de uma massa portadora de interesses utilitários.

No século XX notou-se também uma crescente pentecostalização das
comunidades protestantes de classe média e alta, tais como
presbiterianas, metodistas, batistas e outras, dando origem ao que se
chamou de renovação espiritual, sendo a Igreja Batista da Lagoinha, o
palco dessa transformação ocorrida na década de 60[7].

2. JULGANDO A REALIDADE PELAS ESCRITURAS

Observa-se que a igreja evangélica tem crescido abundantemente no
Brasil nas últimas décadas, contudo pouca transformação
sócio-político-econômica-cultural é percebida no país. Dados de
pesquisas estatísticas de importantes órgãos brasileiros mostram
quantitativamente que em 20 anos, tanto o negro quanto o branco pobre,
ambos vivendo abaixo da linha da pobreza. Mesmo diante de dados
apontando para a conversão ao protestantismo de muitos brasileiros, os
quais já correspondem a 18% da população brasileira, sendo que dentre
esses, 6,39% da população brasileira correspondem aos negros
convertidos ao pentecostalismo. Isso em um país onde 65% dos pobres e
70% dos indigentes são negros, e que mesmo com o avanço da igreja
evangélica brasileira, nada foi percebido em relação ao quadro de
desigualdade social e racial no Brasil.



Mateus 7:20 "Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis".



Em algumas denominações do pentecostalismo brasileiro, pode-se
perceber a "marketização" do Sagrado, e inúmeras promessas de uma vida
abundante por meio da Teologia da Prosperidade. A retórica usada por
elas, buscam a auto-legitimação e a plausibilidade diante de um mundo
secularizado, usando a apresentação de resultados positivos em forma
de testemunhos, supostamente bem sucedidos, após freqüência de seus
cultos e campanhas de oração, as quais envolvem altas somas em
dinheiro doado para essas instituições.

Segundo Campos (1999, p.300), atualmente, "o discurso das
organizações, inclusive religiosas, se tornou mais eficiente e
agressivo, graças à incorporação dos avanços tecnológicos da mídia
televisiva e radiofônica".

Isso significa dizer que atualmente as organizações religiosas possuem
o poder de persuadir grande número de pessoas por meio da televisão e
do rádio, em que usam de vários mecanismos de comunicação para
alcançar este fim, os quais vão desde promessas de vida abundante na
terra, até apresentação de exorcismos, e entrevistas ao vivo com
pessoas possessas.

Para Campos (1999, p.311) a retórica ocupa um importante lugar nos
processos de troca, simbólicas ou não, estabelecidas pelos seres
humanos. Afinal de contas, o homem é um ser criador e intercambiador
de símbolos, e consegue também direcionar seus discursos para
determinados objetivos e auditórios, previamente selecionados. Nesse
contexto, na busca retórica para persuadir o expectador, usam-se
também as palavras como se fossem armas de guerra, moedas de
intercâmbio, na forma de slogans e palavras de ordem.

Uma guerra que pode chegar as vias de fato, e tomar proporções
públicas, tais como a de 1995 entre IURD x Globo.

Sobre ela nota-se que na capa da Folha Universal[8] (24/9/1995) foi
publicada uma montagem fotográfica, na qual foram colocados chifres na
cabeça do ator Edson Celulari, o qual na mini-série chamada
"Decadência", desempenhava o papel de um pastor corrupto chamado
"Mariel Batista", que por sua vez despertou a ira de Edir Macedo,
líder da Igreja Universal, que viu no personagem "Mariel Batista" uma
provocação da rede Globo[9] (Veja a chamada no Youtube dessa
mini-série: http://br.youtube.com/watch?v=RAozLOi0uIM ).

Coincidentemente Mariel é o nome do autor desse artigo, e Batista é a
sua confissão de fé, entretanto nesse caso não é percebida qualquer
provocação da Rede Globo, afinal a crítica feita naquela mini-série,
que foi obrigada a sair do ar, era destinada somente aos pastores
corruptos, os quais usavam a fé retoricamente para persuadir os fieis.

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MensagemAssunto: Re: O avanço pentecostal e o aumento da pobreza   16/6/2008, 10:01 pm

Entretanto possívelmente IURD usou desse clima de guerra para se
promover, sendo observado que isso contaminou até o discurso dos
pastores da Igreja Universal, levando-os a tratarem os defensores de
outros grupos religiosos, com desdém, ironia, e até violência
simbólica, tal como o caso bispo Von Helder, o qual ficou conhecido
como o "bispo que chutou a santa", por causa dos "chutes" que deu ao
vivo pela Tv Record, em uma imagem de gesso de Aparecida(CAMPOS, 1999,
p.315). E também por Caio Fábio, o qual era estigmatizado inclusive em
charges da Folha Universal, aparecendo com o logotipo da Globo pregado
na roupa, e chamado de "pastor da Globo"(Folha Universal, 7/1/1996).

Segundo uma matéria publicada pela revista Veja, em 29 de setembro de
2004, nos últimos anos, uma parcela das igrejas evangélicas têm
adotado um novo e eficientíssimo modelo de expansão. Conhecido como
igreja de células.

A matéria classificou esse modelo de administração eclesiástico como
"uma espécie de franquia da fé, com forte apelo de marketing e truques
que parecem tirados dos manuais de técnicas de venda porta a porta".

Veja explica que "o sistema se baseia na multiplicação do número de
fiéis organizados em grupos de doze pessoas. Cada um desses grupos
forma uma célula. A função primordial de cada célula é atrair fiéis em
quantidade suficiente para gerar uma célula nova. Seguindo esse
modelo, já foram implantadas no Brasil, nos últimos quatro anos, cerca
de 30.000 novas igrejas, expansão só vista antes com o assombroso
crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus. O sucesso começa a
incomodar as lideranças de duas das maiores denominações do país – a
própria Universal e a Assembléia de Deus. A igreja de células, que
reúne adaptações importadas da Colômbia e da Coréia do Sul, já é
considerada uma das cinco maiores forças do meio evangélico".

Caixa de texto: Esta matéria também diz que o segredo do sucesso da
"visão celular", como também é conhecida, está numa combinação
infalível: o boca-a-boca entre os fiéis e um rígido controle de metas.
Cada novo membro da igreja de células deve, no prazo de um ano e meio,
tornar-se um líder e formar o próprio grupo de doze integrantes. Para
isso, é orientado a arrebanhar fiéis entre parentes, colegas de
trabalho ou de faculdade, exatamente como fazem os especialistas em
venda direta. Outro ingrediente importante da receita são os encontros
para evangelização e formação de líderes, geralmente cercados de
sigilo. Em alguns dos encontros de fim de semana, os fiéis são
recebidos com festa e fogos de artifício e mantidos incomunicáveis nas
primeiras 24 horas. Eles também são instruídos a não contar nem aos
parentes mais próximos o que é ministrado nas reuniões. Cria-se,
então, a curiosidade, a fim de que outros fiéis também se sintam
estimulados a participar dos próximos encontros. Marketing puro.

E Veja continua dizendo que o modelo tem sido muito criticado pelas
hostes rivais, que vêm perdendo não apenas fiéis, mas também valiosos
dízimos. "Eles tentam fazer uma reengenharia do Evangelho, perseguindo
o crescimento a todo custo", diz Silas Malafaia, pastor de uma das
principais lideranças da Assembléia de Deus, a maior igreja do país,
com quase 50% de todo o rebanho evangélico.

Independente da tendenciosidade das matérias publicadas pela revista
Veja, nota-se que Silas Malafaia, que em 2004 criticava o G12, em 2008
apresenta-se unido a René Terra Nova, conforme matéria publicada em 15
de fevereiro de 2008 no site MIR12[10].

3. AGINDO EFETIVAMENTE NA REALIDADE

Entretanto diante de tanto crescimento e disputas internas da igreja
evangélica brasileira, no contexto geral, não se verifica nenhum
avanço na diminuição da desigualdade sócio-racial entre negros e
brancos pobres desde o início da década de 1980.

Dados revelam que o maior rendimento médio mensal familiar foi
registrado quando a pessoa de referência era espírita (R$ 3.796,00),
enquanto nas pertencentes à evangélica pentecostal era o menor (R$
1.271,00). Entre católicos apostólicos romanos, o rendimento
correspondia a R$ 1.790,56.

Caixa de texto: Isso significa dizer que entre as pessoas com
orientação evangélica, espírita e católica, são os evangélicos, que
apresentam a menor renda familiar.

Contudo o estudo, baseado na POF 2002-2003, concluiu que famílias em
que a pessoa de referência pertencia às religiões evangélicas elas
apresentaram os maiores percentuais de despesas. Os gastos neste
grupo, como pensões, mesadas e doações – que incluem, entre outros
itens, dízimo e outras contribuições às igrejas – foram os mais
elevados, variando entre 21,4% (R$ 22,79) a 34% (R$ 59, 16).

Isto é, o povo evangélico ganha pouco, gasta muito, e especialmente em
contribuições financeiras para a instituição religiosa.

Porém embora ela apresente grande crescimento numérico, o que se tem
feito com os recursos angariados, sobretudo em favor dos pobres do
país?

Percebe-se que os investimentos do pentecostalismo brasileiro ainda
estão reduzidos à implementação de impérios religiosos, à aquisição de
emissoras de rádio, TV e a luxuosos templos. Tirando raras exceções,
este é o relatório financeiro observável, pois investe-se tempo e
recursos nos movimentos de difusão e marketing modernos, mas pouco em
efetivas obras de transformação da realidade brasileira. E mesmo
quando se trata desse assunto dentro do pentecostalismo brasileiro,
esse ainda pensa em promover apenas ações paternalistas, tal como
distribuição de cestas básicas, como se isso resolvesse de fato o
problema social apresentado.

Não se observa uma preocupação com o mundo, afinal para essas pessoas,
"o mundo jaz no maligno", por isso ele não merece atenção e o cuidado
do crente, pois esse irá em breve morar no céu.

Ações ambientais ainda são pouco discutidas, mesmo diante dos
desastres eminentes derivados do aquecimento Global. Nota-se que desde
o Éden, o mecanismo de atribuir à culpa ao outro está presente, e
dessa forma observa-se que o mundo responsabiliza o cristianismo pela
realidade, e o pentecostalismo responsabiliza o mundo e os demônios.

Entretanto questiona-se qual tem sido a ação efetiva dos seres
humanos, independente da confissão religiosa (ou não-religiosa), em
favor dos próprios seres humanos e do meio ambiente no qual eles
vivem.

Observa-se atualmente a ação de ministérios para-eclesiásticos, os
quais não se encontram diretamente ligados a nenhuma denominação, mas
possuem uma proposta de transformação a partir do emprego de uma
Batalha Espiritual.

Pode-se citar no Brasil o Ministério Ágape Reconciliação de Neuza
Itioka, que influenciada por Peter Wagner(EUA), desenvolve o trabalho
de Batalha Espiritual a mais de 15 anos no país, contra principados,
potestades e estruturas sociais, as quais julgam estar demonizadas, ou
sob influência Satânica, em que Umbandistas, Candomblecistas, e até
Católicos são colocados ao lado de Satanistas, e outras minorias
religiosas, como servos do engano.

Devido a tal visão de mundo, o exorcismo e a quebra de maldições
passadas se torna a porta de entrada para se adquirir uma vida
saudável. Isso se reflete bastante na prática do pentecostalismo
brasileiro e outros ministérios para-eclesiásticos.

A palavra "exorcismo" vem do grego exorkismós e significa afugentar,
esconjurar em nome da divindade os espíritos maus que habitam pessoas,
animais, coisas ou estruturas sociais. O exorcismo só faz sentido num
quadro conceitual, em que aceita a possibilidade da possessão ou
demonização de algo. Então é porque há possessão de pessoas por
espíritos considerados maus, que se admite a necessidade de
expulsa-los. O exorcismo é encarado como uma intervenção ordenadora de
alguém, cujo poder é aceito como legítimo, ao mesmo tempo em que é
também expressão de uma luta mais ampla, ao redor da submissão do ser
humano a um tipo de poder.

Desse modo entende-se que exorcizar é libertar, mas libertar quem, e do que?

Essa suposta Guerra Espiritual que nas últimas décadas tem sido
travada no Brasil não tem sido capaz de alterar dados tão importantes
tal como o da desigualdade sócio-racial.

O ministério profético brasileiro se restringiu a profetizar vida
abundante, ou então desgraças sobre um infiel das sãs doutrinas, a fim
de persuadi-lo a permanecer fiel às organizações chamadas de Igreja,
ou também de "obra de Deus".

Quero dizer que não sou contra o pentecostalismo, afinal creio na
manifestação dos dons do Espírito Santo, assim como creio também na
existência de uma guerra espiritual contra espíritos imundos, tal como
se observa nos evangelhos, o próprio Cristo desempenhado tal
ministério.

Entretanto o presente artigo busca denunciar os mecanismos de
persuasão, os quais apresentam o crescimento numérico e os supostos
"bons frutos", como sinal da aprovação divina.

Denunciam-se também as incoerências, as disputas internas pelo poder,
as promessas da teologia da prosperidade, e as inúmeras guerras
espirituais empreendidas em nome de Deus no Brasil, mas que o próprio
tempo tem se encarregado de mostrar a deficiência, insuficiência e
inadequação de tais práticas, as quais não coadunam com o evangelho de
Cristo.

CONCLUSÃO

Ser evangélico é crer, e praticar o evangelho. Ser Cristão é imitar a
Cristo. E ser pentecostal é se abrir para a manifestação dos dons do
Espírito Santo, sem apelear para escapismos.

Ser profético é ver a realidade, julga-la pelas escrituras e
denuncia-la afim de que haja arrependimento e transformação efetiva; E
empreender a verdadeira guerra espiritual é muito mais do que executar
exorcismos e encenações proféticas, mas também agir em favor dos
empobrecidos de 2/3 do mundo, os quais não podem ser sujeitos da sua
história, pois estão presos ao regime de escravidão-livre, que lhes
foi imposto pela alienação do próprio ser humano.

Uma alienação que se realiza em todas as instâncias existenciais:
Alienação do ser humano em relação ao próximo, em relação a si mesmo,
em relação a Deus, e em relação ao meio ambiente. E de nada adianta
empreender guerras espirituais contra demônios e estruturas sociais,
se a alienação como pecado, não for extirpado do coração do ser
humano, a qual não desaparece com uma membresia denominacional, mas
sim com a iluminação do evangelho da Graça e o conhecimento de Cristo.

Somente pregando e praticando o evangelho da Graça, é que efetivamente
o Cristão será sal e luz do mundo, pois do contrário, ele fará muito,
mas sem nunca alcançar coisa alguma. Se não for pela práxis da Graça,
nossas marchas para Jesus, não passam de um desfile público de
evangélicos. Nossos atos proféticos não passam de mera encenação.
Nossas declarações proféticas não passam de verborragias, e nossas
batalhas espirituais não passam de prepotências e arrogâncias que dão
vazão aos preconceitos religiosos.

Sem Ele nada é possível fazer, e ainda que permeados de boas
intenções, se não for mediante a prática do evangelho da Graça,
fica-se preso em correntes de barganhas com Deus, e por isso, muitos
são escravizados por organizações, apóstolos, bispos, pastores,
missionários, etc...

A realidade apresenta-se perante a Igreja, e se essa não buscar
efetivo engajamento transformador no mundo, perderá a sua própria
identidade, pois ser Igreja é ser chamada para fora. Ser Igreja é ser
chamada para fora de si, aberta ao diálogo, indo ao encontro com o
Outro, entregando-se por amor dele, ainda que esse não seja digno de
recebe-lo. Ser Igreja é ser chamada para agir no mundo inclusivamente
como sal e luz, isto é, cuidando em amor da Terra (Gn 2:15) e
iluminando com o evangelho da Graça os caminhos de toda criatura (Mc
16:15).

Portanto a batalha da Igreja é real por dois motivos. É real, pois
parte da realidade, e também porque essa batalha já é do Rei dos reis,
o qual foi ungido pelo Espírito do Senhor para evangelizar os pobres;
para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos
cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável
do Senhor (Lc 18:18-19). Eis aí a realeza e a realidade da batalha de
Cristo e Sua Igreja.

Na realeza e realidade da batalha de Cristo

Mariel Marra

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MensagemAssunto: Re: O avanço pentecostal e o aumento da pobreza   16/6/2008, 10:02 pm

BIBLIOGRAFIA:

A HISTÓRIA DA LAGOINHA, Lagoinha.com. disponível em: <
http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=art&secpai=12&sec=54&cat=356&art=4312
>, acessado em 1 de junho de 2008.



ATLAS RACIAL BRASILEIRO. PNUD/IPEA/FJP, 2005. Disponível em:
http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_racial.



CAMPOS, Leonildo Silveira, Teatro, Templo e Mercado: Organização e
marketing de um empreendimento neopentecostal, Vozes: Petrópolis,
1999.



DECADÊNCIA (MINI-SÉRIE). Wikipédia: a enciclopédia livre. disponível
em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Decad%C3%AAncia_(miniss%C3%A9rie)>.
acessado em: 3 de junho de 2008.



INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico
2000. Disponível em: http://www.ibge.gov.br.



LIMA, Mônica. História da África: Temas E Questões Para A Sala De
Aula. In: Cadernos PENESB, Niterói, n7, p.68-101,novembro 2006.

TERRA NOVA E MALAFAIA, PELA UNIDADE DO REINO, FAZEM CONGRESSO EM
BRASÍLIA, disponível em:
<http://www.mir12.com.br/br/index2.php?pg=ZW50cmV2aXN0YQ==&id=%2048>,
acessado em 2 de junho de 2008.

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Trecho do novo dvd de Caio Fábio chamado "Caio Fábio conta tudo"

http://www.youtube.com/watch?v=TDI0vCV4cUU



2º trecho do novo dvd de Caio Fábio chamado "Caio Fábio conta tudo"

http://www.youtube.com/watch?v=sX8XHSC8mEg



Batalha Espiritual / Caio Fábio

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritual-caiofabio.htm



Batalha Espiritual e o Erotismo / Ms Daniela Bessa

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritualerotismo.htm

DOWNLOAD DESTE ARTIGO:

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhareal.doc

ORKUT

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=866901


NOTAS DE RODAPÉ:
[1] Mariel Marra é bacharel em Teologia(2008) pelo centro
universitário metodista Isabela Hendrix, membro da Igreja Batista da
Lagoinha, servindo nessa congregação como diácono. Também trabalha na
internet e outros meios de comunicação, contribuindo para uma reflexão
salutar da Fé Cristã, chamando a todos ao equilíbrio e moderação em
Cristo. Para convites e outras informações: marielmarra@gmail.com

[2] http://www.pnud.org.br

[3] Indivíduos com renda domiciliar per capita inferior à linha de
pobreza de R$ 75,50

[4] Fontes de dados e períodos: Censo Demográfico: 1980, 1991 e 2000 /
PNAD: 1982, 1986 a 1990, 1992, 1993, 1995 a 1999, 2001 a 2003

[5] http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_racial/

[6] Indivíduos com renda domiciliar per capita inferior a R$ 37,75

[7] A História da Lagoinha, LAGOINHA.COM. disponível em: <
http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=art&secpai=12&sec=54&cat=356&art=4312
>, acessado em 1 de junho de 2008.

[8] Jornal de distribuição gratuita da Igreja Universal do Reino de Deus

[9] Decadência (mini-série). Wikipédia: a enciclopédia livre.
disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Decad%C3%AAncia_(miniss%C3%A9rie)>.
acessado em: 3 de junho de 2008.

[10] Terra Nova e Malafaia, pela unidade do Reino, fazem Congresso em
Brasília, disponível em:
<http://www.mir12.com.br/br/index2.php?pg=ZW50cmV2aXN0YQ==&id=%2048>,
acessado em 2 de junho de 2008.
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