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 Romanos 14 anula o Shabat e as carnes imundas?

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israel.fontoura



Mensagens : 4
Data de inscrição : 17/09/2011

MensagemAssunto: Romanos 14 anula o Shabat e as carnes imundas?   17/9/2011, 9:34 pm

Romanos 14 anula o Shabat e as carnes imundas?


Uma das passagens que são citadas para eliminar a distinção entre carnes puras e impuras é Romanos no capítulo 14. Além do mais, este capítulo tem sido utilizado para afirmar que a observância do Shabat (Sábado) já não é obrigatória para os crentes. Será correto que Romanos 14 nos diz que todos os alimentos são limpos?

Examinemos o que Sha'ul (Paulo) escreveu, para ver se tais conclusões são válidas.


Qual é o contexto?

Para entender que Sha'ul (Paulo) estava escrevendo a um grupo misto de crentes judeus e não-judeus em Roma, é necessário que analisemos estes versículos tanto em seu contexto temático como histórico. Assim feito, podemos dar conta de que ele não está se referindo em absoluto a carnes limpas ou imundas; mas sim, esta tratando um tema completamente diferente, ou seja, o vegetarianismo.

Esta claro ao ler o versículo 2:

Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes.


Neste contexto não se menciona nada a respeito de carnes “limpas” ou “imundas”. O assunto ao que Sha'ul (Paulo) se referia está relacionado com a atitude de alguns dos novos membros da Kehilah (Congregação), ou seja, “ao fraco na fé”, conforme o versículo 1.

Eles estavam temerosos em comer carnes em geral e consequentemente, comiam somente vegetais, como é mencionado no versículo 2.

O tema do vegetarianismo continua no versículo 6: “E quem come, para o Senhor come, porque da graças a Elohim; e quem não come, para o Senhor não come, e da graças a Elohim”. Vemos claramente que havia membros da Kehilah (Congregação) que comiam carne, e outros que simplesmente não comiam.


Agora, por que alguns haviam decidido re tornar vegetarianos?

Sha'ul [Paulo] não esclarece.

No entanto, as instrução que ele da à congregação de Corinto (1 Coríntios 8) mostra muita semelhança com as contidas em Romanos 14. O assunto com os corintios foi se era permitido comer carne que havia sido oferecida a ídolos, e o conselho que Sha'ul (Paulo) deu aos coríntios é o mesmo que deu aos romanos: Não fazer nada que possa causar ofensa a um irmão na fé.

A respeito deste versículo em Romanos 14, W. J. Conybeare (em seu livro The Life and Epistles of St. Paul [A vida e as epístolas de São Paulo], página 530) mostra que estes vegetarianos seguramente eram membros que se abstinham de comer carne em geral, porque temiam a possibilidade de comer (sem se dar conta) carne que tivesse sido oferecida a ídolos, ou que de alguma outra maneira fosse considerada cerimonialmente impura (o qual facilmente poderia acontecer em um lugar como Roma).

Em virtude de que o vegetarianismo não é algo que está incluído na Torah (denominada como “Lei”) de Moisés, parece que Sha'ul [Paulo] se refere ao mesmo assunto em Romanos 14 e em I Coríntios 8: É permitido que um crente coma carne oferecida a ídolos, até no caso de que isto cause ofensa a crentes que são fracos na fé? A resposta do emissário é a mesma: Não ha nada de mal com a carne, porem não é correto come-la se isto é motivo de ofensa para outros (Romanos 14:13; 1 Coríntios 8:9).

Palavras diferentes para “imundo”

Que diremos de Romanos 14:14, onde Sha'ul (Paulo) faz esta afirmação?

“Eu sei, e estou certo em YHWH Yeshua, que nada é imundo em si mesmo”?

Isto quer dizer que não ha mais distinção entre carnes limpas e carnes imundas?


A palavra grega traduzida aqui como “imundo” é “koinos”, que significa “comum” (Vine's Expository Dictionary of New Testament Words [Dicionário explicativo das palavras do Novo Testamento, de Vine], artigo “imundo”), ou cerimonialmente impuro. Esta mesma palavra (e também em sua forma verbal “koinoo” que significa “sujar” ou “profanar”) é usada em Marcos 7:2-23, donde o tema claramente é a “impureza” cerimonial, pois os discípulos comeram sem antes ter lavado as mãos.

(Alguns usam também esta passagem em Marcos para dizer que Yeshua aboliu toda distinção entre alimentos puros e impuros; no entanto, o contexto deixa claro que o tema é a impureza cerimonial devido a que os discípulos não haviam lavado as mãos).

É fácil verificar que “koinos” e sua forma verbal “koinoo” são usadas ao longo do denominado “Novo Testamento” com relação à impureza cerimonial, não aos tipos de carne imunda mencionados no Tanach (“Primeiro Testamento”).

No denominado “Novo Testamento”, para se referir às carnes imundas é usado um vocábulo grego diferente: “akathartos”. Na versão Septuaginta [ ou dos Setenta _ a versão grega do Primeiro Testamento que estava em uso nos tempos de Sha'ul (Paulo)], se usa a palavra “akathartos” para designar as carnes impuras que estão listadas em Levítico 11.

Ambos os vocábulos, “koinos” e “akathartos”, são usados na descrição que se faz da visão que teve Kefah (Pedro) do lençol no qual havia muitas classes de animais (Atos 10). O mesmo Kefah (Pedro) fez distinção entre os dois tipos de “imundícia” ao usar os dois vocábulos em Atos 10:14. Depois que lhe é dito: “Mata e come”, Kefah (Pedro) respondeu: “Nunca comi coisa alguma comum [koinos] ou imunda [akathartos]”. Quase todas as traduções fazem distinção entre os significados destas duas palavras que são usadas aqui.

Quando Sha'ul (Paulo), em Romanos 14:14, disse: “Eu sei... que nada é de si mesmo imundo [koinos, que significa 'comum” ou 'cerimonialmente impuro']”, estava dizendo o mesmo que disse em 1 Coríntios 8: Que o fato de que animais limpos foram sacrificados aos ídolos não fazia sua carne inapropriada para o consumo do homem. Como pode ser visto no contexto, Sha'ul (Paulo) não estava se referindo em nenhuma maneira às restrições dietéticas que se encontram na Torah (“Lei”).

No versículo 20, o emissário declara que “na verdade tudo é limpo”. A palavra traduzida como “limpas” é katharos, que significa “livre de ingredientes ou misturas impuras, sem defeito ou mancha” (Vine's Expository Dictionary of New Testament Words [Dicionário explicativo das palavras do Novo Testamento, de Vine], artigo “limpo”).

O tema das carnes “limpas” não é tratado no denominado “Novo Testamento”, de modo que não há uma palavra que se aplique especificamente a elas. A palavra “katharos” é usada para descrever toda classe de limpeza e pureza, incluído:

Pratos “limpos” (Mateus 23:26);

Corpos “limpos” (João 13:10);

Roupa “limpa” (Apocalipse 15:6; 19:8, 14);

Religião “pura” (Tiago 1:27);

Ouro “puro” e vidro “limpo” (Apocalipse 21:18), alem de outras coisas.


É necessário notar que em ambos os versículos, Romanos 14:14 e 14:20, a palavra comida ou a palavra carne não se encontra no texto grego; quer dizer, não se menciona nenhum caso específico. O sentido destes versículos é simplesmente que “nada é imundo [enquanto “koinos”: ou comum, ou cerimonialmente impuro] em si mesmo” e que “todas as coisas na verdade são limpas [enquanto “katharos”: ou livre de impurezas, sem mancha ou falha]”.


Não há nada imundo em si mesmo

Mais uma vez podemos ver que Sha'ul [Paulo] não está se referindo aqui a carnes limpas ou imundas, senão a comida que podia ter sido oferecida a ídolos e que por conseqüência, seria considerada inapropriada como alimento por alguns membros da Kehilah (Congregação). O que Sha'ul (Paulo) quer deixa claro aqui é que qualquer associação de comida com cerimônias idólatras não altera em nada, por este ato, suas propriedades como alimento.


Que diremos do Shabat (Sábado)?

Quando Sha'ul (Paulo) disse: “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias” (versículo 5) e “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz” (versículo 6), quer dizer que não ha diferença entre o Shabat (Sábado) e os outros dias, ou que estamos em liberdade de escolher qualquer dia que nos queremos observar, como alguns afirmam?

Para chegar a uma conclusão assim, um teria que inventá-la, já que o Shabat (Sábado) não é mencionado em nenhuma forma nestes versículos. De fato, as palavras Shabat (Sábado), dia santo ou festa não figuram em toda a carta. Aqui faz referencia simplesmente a “dias”, não ao Shabat (Sábado) nem aos outros Moedim (Festas do Eterno).


Que “dias”, pois, são estes que Sha'ul (Paulo) menciona?

Mais uma vez devemos buscar no contexto. Nos versículos 2 e 3 o emissário fala claramente a respeito do vegetarianismo, e continua com o tema no versículo 6 (“O que come . . . e o que não come”) e logo no versículo 21 (“Bom é não comer carne . . . nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece”). Porque escreveu acerca de “dias” nos versículos 5 e 6, imediatamente depois de que nos versículos 2 e 3 falou sobre diferenças entre vegetarianos e quem come carne?

Não existe nenhuma conexão bíblica entre o Shabat (Sábado) e o vegetarianismo. Estes versículos têm que ser retirados de seu contexto para poder afirmar que Sha'ul (Paulo) estava falando a respeito do Shabat e dos Moedim (Festas do Eterno).

Com respeito a esta passagem, o Expositor's Bible Commentary (Comentário Bíblico para Expositores) diz: “A estreita associação do contexto com o comer, sugere que Sha'ul [Paulo] tem em mente a observância de um dia especial, um tempo marcado especificamente para festejar ou para jejuar”. Ao parecer, Sha'ul (Paulo) esta falando de um ou mais dias festivos romanos, durante os quais se faziam banquetes, ou se jejuava, o se abstinha de certos alimentos.

Em relação com o argumento de que esta passagem mostra que o Shabat (Sábado) não é diferente dos demais dias, o Dr. Samuele Bacchiocchi faz a seguinte declaração:

“ Sha'ul (Paulo) aplica o principio básico 'o faz para YHWH” (14:6) somente no caso de 'o que faz caso de dia'. Nunca disse o oposto; isto é, 'o que julga iguais todos os dias, o faz para YHWH'.

“Em outras palavras, com relação à dieta, Sha'ul (Paulo) ensina que um pode honrar ao Eterno seja comendo ou abstendo-se (14:6), mas com relação aos dias, nem sequer aceita que a pessoa que considera todos os dias iguais o faça para YHWH. Assim, Sha'ul (Paulo) dificilmente da seu apoio a quem estima todos os dias iguais”.

Dr. Bacchiocchi continua:

“Se, como geralmente é suposto, o crente 'fraco” era o que observava o Shabat (Sábado), Sha'ul (Paulo) haveria se considerado 'fraco', já que ele observava o Shabat (Sábado) e as outras festas bíblicas (Atos 18:4, 19; 17:1, 10, 17; 20:16).

“No entanto, Sha'ul (Paulo) se considera 'forte” ('ora nós, que somos fortes', Romanos 15:1). Assim, ao falar da preferência entre dias, dificilmente poderia estar pensando na observância do Shabat (Sábado).”

“Outra prova desta conclusão é o conselho de Sha'ul (Paulo): 'Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente” (14:5). É difícil pensar que Sha'ul (Paulo) pudesse reduzir a observância de dias santos, como o Shabat (Sábado), Pêssach (Páscoa) e Shavuot (Pentecostes), a um assunto de convicção pessoal, sem sequer explicar as razões para isso. Resulta mais surpreendente até devido a que se esforça grandemente em explicar por que a circuncisão não é obrigatória para os não-judeus”

(Samuele Bacchiocchi, The Sabbath in the New Testament [O Sábado no Novo Testamento], página 119).


Conclusão

Para resumir, o contexto deixa bem claro que, em Romanos 14, Sha'ul (Paulo) fala a respeito do vegetarianismo, não de carnes limpas ou imundas. Seu conselho para a congregação de Roma é o mesmo que deu aos coríntios na carta "1 Coríntios 8", o que indica que muito provavelmente estavam tratando do mesmo tema:

Se os membros da Kehilah (Congregação) deviam ou não evitar as carnes que tivessem sido usadas em cerimônias idolatras.


O Shabat (Sábado) e os outros Moedim (Festas do Eterno) não são mencionados em nenhuma parte da carta de Sha'ul (Paulo) aos romanos. Os dias que são mencionados aqui estão claramente relacionados com a abstinência de carne, o qual indica que eram observâncias romanas e nada tinham haver com os dias de adoração que o Eterno manda observar.

Nota do tradutor: O autor utilizou como texto base para argumentação uma tradução grega. Nos Israelitas do Caminho, cremos que a Bri't Chadasha (Escritos Israelitas do Caminho ou o denominado “Novo Testamento”) foram escritos em idioma semita, hebraico e/ou aramaico.

Ao ser verificado tais manuscritos em hebraico/aramaico, se nota que o artigo de Scott Ashley esta de pleno acordo com o que os manuscritos em aramaico e hebraico trazem.

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