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 Como Decifrar a Parábola do Rico e Lázaro

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Eduardo
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MensagemAssunto: Como Decifrar a Parábola do Rico e Lázaro   2/1/2009, 3:18 am

Como Decifrar a Parábola do Rico e Lázaro

A lição que a alegoria pretende ensinar-nos.

Das parábolas apresentadas por Cristo, a conhecida como do rico e Lázaro parece ser a que mais dificuldade apresenta de ser entendida. Em virtude de certas expressões nela usadas, consideram alguns que Jesus teria ensinado que, ao morrerem, uns vão para o Céu, outros para o inferno, tendo assim defendido a teoria imortalista da alma.
Outros são de parecer que a parábola constitui uma espécie de ensinamento de que os pobres têm garantida a salvação, ao morrer, ao passo que os ricos ficam excluídos do Céu, pois já receberam a sua recompensa nesta vida.

E um terceiro grupo, ainda, embora não o declare abertamente, sugere pelas atitudes que é melhor não aventurar nenhuma hipótese. Insinua que a ilustração usada por Jesus ficaria no mesmo plano de tantas outras partes das Escrituras cuja interpretação aguarda ocasião mais propícia para ser conhecida; possivelmente na Nova Terra!
O cuidadoso exame da parábola, contudo, não favorece a teoria de que temos uma alma e, de que esta é imortal. Segundo entendemos, com base na teoria imortalista, alma não tem forma. E algo incorpóreo, sem forma física.

Órgãos como olhos, dedos e língua, portanto, não fazem parte de sua composição, pois são partes do corpo. Ora, na parábola em questão, o rico “levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio” (Luc. 16:23). E pediu que o patriarca mandasse a Lázaro molhar o dedo em água e lhe refrescar a língua (verso 24). Dessa forma, a teoria imortalista não tem respaldo nesta parábola.
Também não é verdade que Cristo estivesse procurando ensinar que somente os pobres se salvam. Um dos personagens usados por Jesus na parábola, é Abraão. De acordo com o livro de Gênesis, Abraão era um homem abastado. Possuía “ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentas” (Gên. 24:35). Se a parábola, por conseguinte, estivesse sugerindo que os ricos estão excluídos do Céu, Abraão não poderia encontrar-se onde estava; e em situação tão vantajosa que podia até abrigar em seu regaço o mendigo! Dessa maneira, a ilustração do rico e Lázaro não é uma indicação de que só os pobres são salvos.

Mas, se nenhuma das duas hipóteses consideradas é correta, que pretendia nosso Senhor com esta aparentemente tão complicada ilustração? Será que lhe deu origem apenas para que cada um de nós tirasse a conclusão que desejasse — algumas extravagantes?
Convém notarmos que as parábolas de Jesus sempre se basearam em fatos comuns da vida como, por exemplo, cozinhar, plantar, lidar com animais, o relacionamento de pais e filhos, de senhores e servos; o relacionamento entre irmãos; atividades comerciais como venda e compra; e, também, crenças populares. Estas, ao que tudo indica, não eram incomuns, mesmo entre os apóstolos. Segundo o relato bíblico, eles ainda criam em fantasma, pois confundiram Jesus com um deles, quando nosso Senhor andou sobre as águas (Mat. 14:26). Assim sendo, Cristo deve ter-Se valido de uma crença popular, com a finalidade de extrair dela algum ensinamento proveitoso para Seus ouvintes.

Os personagens
De acordo com o título pelo qual é mais conhecida, a parábola em consideração é denominada “do rico e Lázaro”. Se pudermos descobrir quem são esses personagens, certamente teremos feito uma incursão nesse território aparentemente impenetrável; e poderemos começar a descobrir algo fascinante!

Como se pode observar, a palavra “rico”, usada para descrever o primeiro personagem da alegoria, não constitui um nome próprio, mas indica uma condição social. Lucas 16:19 descreve em pormenores essa condição: “Ora, havia certo homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente”.

A primeira coisa que o texto bíblico salienta, com respeito ao homem rico, são suas vestes, O personagem vestia-se “de púrpura e de linho finíssimo”, declarou Jesus. Tal descrição encontra correspondência em outras partes das Escrituras como, por exemplo, Êxodo 28:5: “Tomarão ouro, estofo, azul, púrpura, carmesim e linho fino”. Como no texto de Lucas, fala-se neste verso a respeito de púrpura e de linho, tecidos utilizados nas vestes sacerdotais. Eram os sacerdotes judaicos que assim se vestiam. Dessa maneira, o homem rico da parábola ninguém mais é senão o sacerdote israelita; por sua vez, o representante máximo do povo judeu.

Pode-se argumentar que as vestes sacerdotais não sejam suficientes para que identifiquemos quem éo homem rico. Talvez não sejam. O restante do verso 19, contudo, robustece ainda mais esta idéia. Diz ele que o rico “todos os dias se regalava esplendidamente” ou, como declara a Edição Revista e Corrigida de Almeida, “vivia todos os dias regalada e esplendidamente”.
Que significa viver “regalada e esplendidamente”? Quer dizer ter em abundância, ter fartura, comer, beber e vestir-se ricamente. Podemos encontrar nas Escrituras algo que corresponda a esta descrição, na experiência do povo judeu? Que aspecto de sua vida pode preencher as especificações aqui apresentadas?

Na argumentação que usa na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo faz uma pergunta à qual procura responder em seguida. “Qual é, pois, a vantagem do judeu? ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” (Rom. 3:1 e 2). Na mesma epístola, diz o apóstolo, um pouco mais adiante: “São israelitas. Pertence-lhes a adoção, e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a Carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre” (Romanos 9:4 e 5).

Verificamos, pois, que o povo judeu possuía uma incalculável riqueza de cunho espiritual. Poder- se-ia dizer que, como o rico da parábola, a nação judaica vivia regalada e esplendidamente, embora nem sempre desse o devido valor à fortuna que possuía. Deus lhe havia confiado os Seus oráculos, declara Paulo, uma vantagem, de certo modo, sobre os que não eram judeus. Jesus usou as vestes sacerdotais, bem como os privilégios espirituais concedidos ao povo israelita, para criar a figura do homem rico da parábola.

Por sua vez, a palavra Lázaro, empregada para representar o segundo personagem da parábola, também não é nome próprio. Constitui, como diz o Dicionário Bíblico de Buckland, a “forma grega de El-azar”. Esclarecendo um pouco mais, o Dicionário de Davis explica: “Lázaro — do hebraico, El-azar (Deus tem ajudado)”. Contudo, é o Dicionário Enciclopédico da Bíblia que mais facilita a compreensão, ao dizer: “Forma bíblica da abreviação hebraica lãzãr”. E acrescenta: “Aqui, o nome é fictício, bem como o personagem; foi escolhido, sem dúvida, por causa do seu sentido”. Acha também que o nome significa “Deus ajuda”. Uma vez que o homem rico não era uma pessoa, mas um povo, também Lázaro representava uma parte da sociedade em que vivia. Da mesma forma que ele, havia muitos Lázaros entre o povo judeu, desejando alimentar-se “das migalhas que caíam da mesa do rico” (Luc. 16:2 1), sem que sua fome fosse por este saciada. Os publica- nos e os pecadores, enfim, todos quantos não pertenciam à nação israelita, minguavam à espera de que lhes fossem concedidos ao menos alguns fragmentos de bênçãos espirituais, enquanto seus vizinhos esbanjavam essas bênçãos.

Em muitas narrativas bíblicas, este comportamento tanto dos judeus como dos gentios é salientado. Na parábola do filho pródigo, por exemplo, a linguagem do irmão mais moço — um representante do Lázaro da outra parábola — ilustra bem este fato. Depois de ter percorrido sinuosos caminhos e ir dar numa pocilga, comenta Lucas, o jovem “desejava... fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada” (Luc. 15:16). Lembrava-se com saudade da “fartura” que deixara na casa paterna, quando de lá se afastara.

O fato ocorrido com a mulher cananéia contribui, também, para que se tenha uma idéia da situação dos Lázaros entre os quais Jesus andava, quando aqui esteve. A alegação de Cristo de que não seria bom alimentar os cachorrinhos em prejuízo dos filhos, apresentou ela o irresistível argumento:

“Também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores” (Mat. 15:27). A bênção de ver a filha curada, era a “migalha” bem-vinda que o rico povo judeu deixava cair de sua farta mesa. Avido “cachorrinho”, não queria ela perder a oportunidade de apanhar o precioso fragmento.

Diz a parábola que, além de não conseguir alimentar-se das “migalhas que caíam da mesa do rico”, Lázaro tinha ainda as feridas lambidas pelos cães. Esta figura lembra bem as acusações a que eram constantemente submetidos os que não eram judeus, ou que eram considerados pecadores. Na parábola do fariseu e do publicano esta questão ficou bem definida.
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