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 As cisternas rotas da Patrística

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Ronaldo
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MensagemAssunto: As cisternas rotas da Patrística   26/12/2008, 9:58 pm

Eis abaixo apenas uma pequena mostra do que depois analisaremos ponto por ponto, citação por citação, as suas "provas" que nada provam. Aliás, eu já havia colocado o testemunho do ex-sacerdote católico por 25 anos, Charles Chiniquy, e o choque tremendo que ele teve quando resolver se aprofundar na Patrística, e encontrou só contradição sobre contradição, erros grosseiros, superstições e tolices teológicas sem tamanho.

Mas, que tal vermos o que outro erudito diz a respeito desse mergulho na patrística? Eis o que diz Arnaldo B. Christianini em Subtilezas do Erro:

AS CISTERNAS ROTAS DA PATRÍSTICA

JEREMIAS, o profeta, falando das falsas fontes de ensino, chama-as de "cisternas rotas, que não retêm as águas" (2:13). Deixar as Escrituras – infalível Palavra de Deus – para escorar-se nos chamados Pais da Igreja é, sem dúvida, abeberar-se nas cisternas rotas da confusão, da dúvida, da incerteza e da incoerência. Embora alguns desses homens tenham sido piedosos, a verdade é que não eram inspirados, e seus escritos não são infalíveis. Pelo contrário, há neles uma eiva tremenda de absurdos e ilogismos insanáveis. Eis a amostra:

Inácio, por exemplo, pretende que se torna assassino de Cristo quem não jejua no sábado ou no domingo (1); defende a transubstanciação, considerando herege quem admite apenas o simbolismo da santa ceia (2); exalta demais a autoridade do bispo, pondo-a acima da de César, chegando ao cúmulo de afirmar que, quem não o consulta, segue a Satanás (3). É bom lembrar que, das quinze cartas atribuídas a Inácio, oito são absolutamente falsas, e as restantes são duvidosas, cheia de interpolações e acréscimos. Não se sabe exatamente o que esse Pai escreveu!!!

Barnabé (se é que existia tal personagem), diz que a lebre muda cada ano o lugar da concepção (4), que a hiena muda de sexo anualmente (5), e a doninha concebe pela boca (6). Afirma que Abraão conhecia o alfabeto grego (séculos antes que tal alfabeto existisse) (7) ; alegoriza a Bíblia, compara a circuncisão ao "oitavo dia" que afirma ser o dia de reunião (quando não existe oitavo dia na semanal) (8). Sua epístola é espúria, disparatada e não merece crédito.

Justino era quiliasta*; ensinava, entre outros absurdos, que os anjos do Céu comem maná (9), e que Deus, no princípio do mundo, deu o Sol para ser adorado. (10)

Clemente de Alexandria sustenta que os gregos se salvam pela sua sabedoria (11); afirma que Abraão era sábio em astronomia e aritmética, e que Platão era profeta evangélico. (12) Erra demasiada e crassamente nas citações que faz da Bíblia.

Tertuliano, o que mais heresias ensinou, era sarcástico, injurioso, apaixonado, colérico, fanático e aderiu à heresia montanista.** Diz regozijar-se com os sofrimentos dos ímpios no inferno (13) Afirma que os animais oram (14). Defende o purgatório, a oração pelos mortas, e outros despautérios doutrinários (15)

Cipriano, de feiticeiro que era no paganismo, tornou-se anabatista na igreja.

Eusébio (já além da era patrística) era ariano.***

Irineu quer que as almas, separadas do corpo, tenham mãos e pés (16) Defende a supremacia de Roma, alegando que a Igreja tem mais autoridade do que a Palavra de Deus (17) Diz que os "animais imundos" são os judeus (18) defende ardorosamente o purgatório (19), e chega até a dar a idade certa de Cristo que, segundo ele, tinha quase cinqüenta anos (20)

Poderíamos alongar esta relação citando outros "pais" e seus despautérios. Par aí se vê, porém, o absurdo de citá-los para comprovar doutrina. Enquadram-se perfeitamente na conceituação do profeta Jeremias: são verdadeiras cisternas rotas.
Adão Clarke, abalizado comentarista evangélica, depois de considerar a obscuridade dos escritos destes "pais," conclui: "Em ponto de doutrina a autoridade deles é, a meu ver, nula." (21)

Eduardo Carlos Pereira, douto escritor evangélico, disse que a patrística além de constituir-se "testemunha falível de autoridade humana," era "tradição que a crítica não pode sequer firmar no terreno digno da História." Diz ainda que se trata de "tradição confusa e contraditória." E remata: "Pululam, nos anais primitivos da Igreja, escritos espúrios ou apócrifos, que revelam a tendência perigosa para a ficção e para as lendas, que degeneraram largamente nas fraudes pias dos tempos medievais." (22)

O Arcediago Farrar acrescenta: "Há pouquíssimos deles cujas páginas não estejam repletas de erros, erros de método, erros de fatos, erros históricos, de gramática, e mesmo de doutrina." (23)

Mosheim, afamado historiador eclesiástico confirma: "Não é de admirar que todas as serras dos cristãos podem encontrar nos chamados pais algo que favoreça sua própria opinião e sistemas." (24)

Sim, os escritos patrísticos provam tudo, amparam a maior heresia. O leitor agora vai ter um choque ao ler estas estarrecedoras declarações, extraídas de uma publicação batista, antiga mas autêntica. Em resposta um jovem ministro que perguntara ao jornal como poderia provar a sua congregação uma coisa, quando nada encontrasse com que prová-la, na Bíblia, o pastor Levi Philetus Dobbs D. D. escreveu o seguinte:

"Recomendo, no entanto, um judicioso emprego dos Pais em geral, da mais alta confiança para qualquer pessoa que esteja na situação do meu consulente. A vantagem dos Pais é dupla: em primeiro lugar porque exercem grande influência sobre as multidões; em segundo lugar porque você poderá encontrar o que quiser nos Pais. Não creio que haja opinião mais tola e manifestamente absurda, para a qual você não possa encontrar passagens para sustentá-la nas páginas daqueles veneráveis homens de experiência. E para a mente comum, tanto vale um como outro. Se acontecer que o ponto que você quer provar nunca tenha ocorrido aos Pais, então você pode facilmente mostrar que eles teriam tomado seu lado se apenas tivessem pensado no assunto.

"E se, por acaso, nada há para sustentar, mesmo remotamente, de maneira favorável o ponto em questão, não desanime: faça uma boa e vigorosa citação e coloque nela o nome dos Pais, e pronuncie-a com ar de triunfo. Ela será igualmente valiosa. Nove décimos do povo não se detém a indagar se a citação apóia a matéria em debate. Sim, irmão, os Pais são a sua fortaleza. Eles são a melhor dádiva do Céu ao homem que tenha uma causa que não possa ser amparada por nenhum outro modo." (25) (Grifos acrescentados.)

Duvidaríamos dessa monstruosidade se não a tivéssemos lido em letra de forma!!!

Referências:

1 - Epístola de Inácio aos Filipenses, cap. XIII, § 3°., in fine.
2 - Epístola de Inácio aos de Esmirna, cap. VII, § 1º.
3 - Epístola de Inácio aos de Filadélfia, cap. IV, § 1º. e também na Epístola de Inácio aos de Esmirna, cap. IX, § 1º.
4 - Epístola de Barnabé, cap. X, § 6º.
5 - Idem, cap. X. § 7º.
5 - Idem, cap. X, § 8º.
7 - Idem, cap. IX, § 8º.
8 - Idem, cap. XV, §§ 8º. e 9º.
9 - Justino Camelini, p. 274.
10 - Justino, Apologia sobre o Fim.
11 - Clemente, Stromata, Livro 6, cap. 11.
12 - Idem, Livro 5, cap. 14.
13 - Tertuliano, As Sombras, cap. 50.
14 - Tertuliano, Orando (discurso).
15 - Ibidem.
16 - Irineu, Contra Heresias, Livro III, cap. 63.
17 - Idem, Livro III, cap. 4, §§ 1º. a 3º.
18 - Idem, cap. 8. § 4º.
19 - Idem, Livro IV, cap. 27, § 2º.
20 - Idem, Livro II, cap. 22, § 6º.
21 - Clarke's Commentary, on Proverbs 8.
22 - E. C. Pereira, O Problema Religioso na América Latina, págs. 215, 219 e 227.
23 - Farrar, The History in Interpretation, págs. 162, 163 e 165 (ed. 1886)
24 - Mosheim, Ecclesiastical History, Liv. 1, part. 2, cap. 3, seção 10.
25 - Jornal National Baptist, march 7, 1878, Dr. Wayland, redator.
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MensagemAssunto: Re: As cisternas rotas da Patrística   26/12/2008, 9:59 pm

Que tal repetirmos o testemunho do ex-sacerdote católico canadense sobre o grande choque que teve que se empenhou em examinar a fundo essa literatura patrística? Vejamos o testemunho de Charles Chiniquy, famoso religioso católico canadense radicado nos EUA que foi confessor do Pres. Lincoln e que se converteu à fé Reformada, tratando da questão da Patrística:

Trata-se de um trecho interessante do livro de Chiniquy, 50 Years in the “Church” of Rome--The Conversion of a Priest [50 Anos na “Igreja” de Roma--A Conversão de um Sacerdote]. Ele viveu no século XIX e após sua conversão escreveu o volumoso livro onde levanta uma série incrível de fatos sobre doutrina e costumes da Igreja onde passou 50 anos de sua vida, sendo 25 dos mesmos como sacerdote.

Capítulo XLI

O trabalho mais desolador de um sincero sacerdote católico é o estudo dos Pais da Igreja. Ele não dá um passo no labirinto de suas discussões e controvérsias sem ver os sonhos de seus estudos teológicos e pontos de vista religiosos desaparecerem! Preso por um voto solene, de interpretar as Escrituras Sagradas somente segundo o unânime consenso dos Pais da Igreja, a primeira coisa que o angustia é sua absoluta falta de unanimidade na maior parte dos assuntos que discutem. O fato é que mais de dois terços do que um Pai escreveu é para provar que o que outro Pai escreveu é errado ou herético.

O estudante dos Santos Padres também descobre que muitos deles nem mesmo concordam com eles próprios. Muitas vezes confessam que estavam errados quando disseram isso ou aquilo; que mais tarde mudaram de opinião; que agora é que se apegam à verdade salvadora que anteriormente condenavam como um erro danoso! O que fazer com o voto solene de cada sacerdote diante desse fato inegável?

É verdade que nos meus livros teológicos católicos-romanos eu tinha longos trechos dos Pais, apoiando mui claramente e confirmando minha fé nesse dogmas. Por exemplo, tinha as liturgias apostólicas de São Pedro, São Marcos, e São Tiago, para provar que o sacrifício da missa, o purgatório, as orações pelos mortos, a transubstanciação, eram cridos e ensinados desde os tempos primitivos dos apóstolos. Mas qual não foi a minha desolação quando descobri que essas liturgias nada mais eram senão vis e audaciosas falsificações apresentadas ao mundo, por meus papas e minha Igreja, como verdades evangélicas. Eu não poderia encontrar palavras para expressar meu senso de vergonha e consternação.

Que direito tem a minha Igreja de ser chamada infalível, quando ela publicamente é culpada de tais mentiras?

Desde minha infância tem sido ensinado, bem como todos os católicos-romanos, que Maria é a mãe de Deus, e muitas vezes, todo dia, quando orando a ela, eu costumava dizer, “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por mim”. Mas qual não foi minha angústia quando li no “Tratado Sobre Fé e Credo”, por Agostinho, estas palavras: “Quando o Senhor diz ‘Mulher o que tenho contigo? Ainda não é chegada a minha hora’ (João 2:4) Ele a está é admoestando a entender que, com respeito a ser Ele Deus, para Ele não havia mãe”.

Isso estava demolindo os ensinos de minha Igreja, e dizendo-me que era blasfêmia chamar Maria de mãe de Deus de tal modo que me senti como atingido por um raio.

Muitos livros podem ser escritos, se meu plano fosse transmitir o relato de minhas agonias mentais, quando lendo os Pais da Igreja. Assim ferido, mostrei-os ao Sr. Brassard, dizendo: “Não vê aqui a irrefutável prova de que aquilo que lhe tenho dito tantas vezes, que, durante os primeiros seis séculos de cristianismo, não encontramos a mínima prova de que houvesse qualquer coisa como nosso dogma do supremo poder e autoridade do Bispo de Roma, ou de qualquer outro bispo, sobre o restante do mundo cristão?

“Meu caro Chiniquy”, respondeu o Sr. Brassard, “eu não lhe disse que quando adquiriu os Santos Padres, estava fazendo uma coisa tola e perigosa? Sendo que é o único sacerdote no Canadá que tem os Santos Padres, pensa-se e comenta-se em muitos lugares, que foi por orgulho que os adquiriu; que foi para exaltar-te acima do restante do clero. Vejo, com tristeza, que estás perdendo rápido o respeito do bispo e dos sacerdotes em geral por causa de tua indomitável perseverança em dedicar todo o teu tempo livre ao estudo deles. És também muito independente e imprudente em falar do que chamas contradições dos Santos Padres, e de sua falta de harmonia com algumas de nossas posições religiosas.

“Muitos dizem que essa excessiva dedicação ao estudo, sem um momento de pausa, irá afetar negativamente tua inteligência e perturbar-te a mente. Até se diz a boca pequena que não se surpreenderiam se a tua leitura da Bíblia e dos Santos Pais te conduza ao abismo do protestantismo. Eu sei que eles estão errados, e faço de tudo em meu poder para defender-te. Mas, julguei, como teu mais dedicado amigo, ser o meu dever dizer-te essas coisas, e advertir-te antes que seja demasiado tarde”.

Eu respondi: “O Bispo Prince me disse as mesmas coisas, e eu conto qual foi a resposta que dele obtive: ‘Quando se ordena um sacerdote, não é ele levado a jurar que nunca interpretará as Santas Escrituras exceto segundo o unânime consenso dos Santos Padres? Como podemos saber o seu consenso unânime sem estudá-los? Não é por demais estranho que, não só os sacerdotes não estudam os Santos Padres , mas que o único no Canadá que está tentando estudá-los, é posto sob ridículo e suspeição de heresia? É minha falta se esta preciosa rocha, chamada ‘consenso unânime dos Santos Padres’, que é o próprio fundamento de nossa crença religiosa, não se ache em parte alguma neles? É minha falta se Orígenes nunca creu na eterna punição dos réprobos; se São Cipriano negava a suprema autoridade do Bispo de Roma; se Santo Agostinho declarou positivamente que ninguém era obrigado a crer no purgatório; se São João Crisóstomo publicamente negou a obrigação da confissão auricular, e a real presença do corpo de Cristo na eucaristia? É minha falta se um dos mais eruditos santos papas, Gregório, o Grande, chamou pelo nome de Ancristo, todos os seus sucessores, por tomarem o nome de Supremo Pontífice, e tentar persuadir o mundo de que tinha, por divina autoridade, uma jurisdição e poder sobre o restante da Igreja?’”

“E o que o Bispo Prince te respondeu?” reagiu o Sr. Brassard.

“O mesmo como fez, expressando seus temores de que o estudo da Bíblia e dos Santos Padres ou me conduziria a um asilo de loucos, ou me lançaria no abismo sem fundo do protestantismo”.

Eu lhe respondi de modo bem sério: “Até quando Deus mantenha a minha inteligência saudável, não posso unir-me aos protestantes, pois as inumeráveis e ridículas seitas desses heréticos são um antídoto seguro contra seus erros venenosos. Não permanecerei um bom católico em razão da uninimidade dos Santos Padres, o que não existe, mas permanecerei um católico por casa da grande e visível unanimidade dos profetas, apóstolos, e evangelistas com Jesus Cristo. Minha fé não se firmará sobre as palavras falíveis, obscuras e volúveis de Orígenes, Tertuliano, Crisóstomo, Agostinho, ou Jerônimo; mas sobre a infalível palavra de Jesus, o Filho de Deus, e de Seus inspirados autores: Mateus, Marcos, Lucas, João, Pedro, Tiago, e Paulo. É Jesus, não Orígenes, que agora me guiará; pois este último foi um pecador como o sou, e o primeiro é para sempre meu Salvador e meu Deus. Eu conheço o suficiente dos Santos Padres para assegurar a vossa senhoria que o voto que fazemos de aceitar a Palavra de Deus segundo o seu unânime consenso é um miserável equívoco, se não um blasfemo perjúrio. É evidente que Pio IV, que impôs a obrigação desse voto sobre todos, nunca leu um único volume dos Santos Padres. Ele não seria culpado de tão incrível erro se tivesse sabido que os Santos Padres são unânimes em somente uma coisa, de que diferem de cada um dos demais em quase tudo”.

“E o que o Sr. Prince disse sobre isso?” indagou o Sr. Brassard.

“Exatamente quando eu o apertava sobre a questão da Virgem Maria, ele abruptamente pôs fim ao diálogo olhando o relógio e dizendo que tinha um compromisso naquele exato momento”.
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MensagemAssunto: Re: As cisternas rotas da Patrística   26/12/2008, 10:00 pm

Eu até acho engraçado o estilo do observador. Se eu fosse espírita iria crer piamente que na vida anterior ele foi um papagaio, pois só sabe repetir os mesmos chavões de sempre.

Mas, vamos, em nome da verdade EXPLODIR o mito de Inácio, como verão abaixo:


A Falácia da Citação de Inácio

Das quinze cartas atribuídas a Inácio, oito são absolutamente falsas, e as restantes são duvidosas, cheia de interpolações e acréscimos. Não se sabe exatamente o que esse Pai escreveu!!!

Diz o oponente: "Inácio, discípulo de João, o apóstolo, escreveu cerca do ano 100 da nossa era o seguinte: 'Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o dia do Senhor."

Vamos passar esse argumento pelo crivo da crítica e ver o que restará dele.

1. A crítica não confirma que Inácio fosse discípulo de João, nem que esse escrito date precisamente do ano 100. Como se disse no preâmbulo, a Inácio são atribuídas 15 epístolas. Serão autênticas? Diz a Enciclopédia Britânica, a respeito:

"É agora opinião universal dos críticos que as primeiras oito dessas pretensas cartas de Inácio são espúrias. Trazem em si provas indubitáveis de serem produto de uma época posterior àquela em que Inácio viveu... Por unanimidade são hoje postas à parte como falsificações..."

Depois de considerações críticas textuais dos "escritos" de Inácio conclui:

"... alguns vão a ponto de negar que tenhamos qualquer escrito autêntico de Inácio, enquanto outros, embora admitindo as sete cartas mais curtas como provavelmente sendo dele, ainda duvidam muito de que estas estejam livres de intercalações."

Diz Schaff que estes "documentos... logo se tornaram tão interpolados, cortados e mutilados, que hoje é quase impossível descobrir com certeza qual é o genuíno Inácio da História ou o pseudo Inácio da tradição" [History of the Christian Church, 2º. período, parte 165, vol. 2, pág. 660].

Pois bem, nesta cisterna rota, neste cipoal de confusões, nestas águas turvas e revoltas, vai o acusador buscar uma citação em abono do espúrio dia de repouso. O trecho citado encontra-se na Epístola de Inácio aos Magnesianos, cap. IX, §1.

2. Além disso, a citação é duvidosa (pois não se pode ter certeza se é mesmo de Inácio ou se foi interpolação). E o pior é que no texto grego original mais popularizado e difundido não se encontra a palavra 'dia' [hemera, ou outra equivalente]. Na realidade a frase, nestas versões, é obscura. Aquele final "não mais guardando o sábado porém vivendo de acordo com o dia do Senhor," está no grego, nas versões comuns, literalmente assim:

meketi sabbathizontes, alla kata kyriaken zoontes
não mais sabatizando, mas conforme o do Senhor vivendo

Como se vê, fica assim obscura e sem nexo a expressão de Inácio "não mais sabatizando, mas de acordo com o (?) do Senhor vivendo", exigindo um aditamento para formar sentido. E então o bispo Lightfoot, advogado do domingo, teve a idéia de acrescentar, ou melhor, de encaixar ali a palavra 'dia', forçando o duvidoso Inácio a dizer: "... não vivendo mais para o sábado, mas para o dia do Senhor."

Deu-se, portanto, uma adulteração grosseira, flagrante, uma fraude enfim que é repetida impensadamente pelos dominguistas em geral. Será decente firmar doutrina em base tão precária, fraudulenta e indigna de crédito? Mas não é só. Os eruditos, estudando a citação de Inácio, julgam que a interpolação da palavra 'dia' destoa por inteiro do contexto, porque não se vive de acordo com um dia, mas sim de acordo com um princípio, uma idéia, um exemplo ou uma orientação na vida.

E encontramos em Patrologia Graeca, de Migne, Vol. 5, pág. 669, obra abalizadíssima, o original de Inácio desta forma: "Não mais sabatizando, mas vivendo de acordo com a vida do Senhor." O sentido aí é que a vida de Jesus se reflita em nossa vida também.

O Dr. Frank Yost afirma: "Os aludidos eruditos [Lightfoot e Lake] omitiram a palavra vida para possibilitar a inserção da palavra dia. Mas a palavra 'vida' lá se encontra, e forma sentido lógico, quando devidamente traduzida, sem subterfúgio, do original grego."

O próprio contexto dessa Epístola de Inácio aos Magnesianos revela que o genuíno ou suposto Inácio tratava não do dia da ressurreição, mas da vida divina que, mediante o Senhor ressuscitado, capacitava o crente a viver uma vida cristã de fé, livre do formalismo judaico. Em toda a epístola não há qualquer referência ao dia de adoração.

Em conclusão: as versões populares omitem qualquer substantivo antes do genitivo "do Senhor." A versão crítica original consigna a palavra 'vida' e jamais 'dia'. E assim se reduz a frangalhos o argumento estribado nessas palavras atribuídas a Inácio. (Condensado do Capítulo "Cisternas Rotas", de Subtilezas do Erro, Arnaldo B. Christianini).

A documentação do Dr. Bacchiocchi na pág. 194 de seu livro Do Sábado Para o Domingo é ainda mais devastadora, mas sendo muito longa preferi o que diz Christianini por ser mais sintético.

Pronto, está aí desfeito um dos grandes mitos dos apologistas do domingo, que por não encontrarem respaldo bíblico para a sua prática espúria vão se abeberar nas cisternas rotas da Patrística, com todas as suas contradições, erros grosseiros e fantasiosas declarações, sem falar nas incertezas de integridade de textos dadas as múltiplas interpolações.
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